Olá pessoal, aqui vai a primeira parte do terceiro capitulo do meu livro Turning Point.
Conversa fatal
Estávamos todos juntos quando saímos auditório e daí prosseguimos para a porta de saída da escola. Aquela “aula” tinha durado a manhã toda e como tínhamos tarde livre iam todos para casa.
Estávamos todos a despedirmo-nos á saída e mesmo no momento em que eu me dirigia para a paragem do autocarro, senti alguém a agarrar o meu braço. Quando me virei apercebi-me de que era Sam quem me tinha agarrado. Ele puxou-me para um pequeno beco por onde quase não passa ninguém e encostou-me á parede dura e fria.
- Sam, assustaste-me. – Que coisa tão estúpida para se dizer, mas era verdade.
- Desculpa não era essa a minha intenção. – Disse Sam com um tom calmo e sereno mas ao mesmo tempo inquietado.
- Querias-me dizer alguma coisa? – Perguntei eu, sim porque queria saber qual a razão para o tremendo susto que tinha apanhado.
- Eu precisava de te perguntar uma coisa Blair.
- Diz Sam.
- Á pouco no auditório, quando nos beijámos, eu… eu queria saber se tu…- Sam parecia agora bastante nervoso. Vi-o preparar-se para me dizer algo mas nesse preciso momento Nate surgiu por detrás da parede lateral.
- Olá Blair, eu andava doido á tua procura. A Jenny disse-me que te viu vir para aqui. – Disse Nate com um olhar curioso sobre Sam.
- Olá Nate. – Disse eu um pouco nervosa. Acho que se devia ao facto de que na última vez que tinha falado com ele lhe tinha dito que estava grávida. – Este é o Sam. – Senti-me na obrigação de aliviar o ambiente.
- Falamos depois Blair. – Disse Sam algo desapontado consigo mesmo.
Dito isto Sam desapareceu por detrás dos arbustos.
- Como te sentes? – Perguntou-me Nate.
- Estou bem. – Respondi algo confusa.
- Ainda bem, porque vamos agora falar com os teus pais. – Assim que Nate disse isto um sentimento de pavor apoderou-se de mim.
- Não! Eu disse que falava com eles mas não hoje! Porque é que tem de ser hoje? Temos muito tempo! – Eu estava num estado de nervos impossível e tenho a certeza que estava quase a berrar.
- Acalma-te Blair. Tenho a certeza que os teus pais vão ser bastantes compreensivos. – Eu não estava tão certa disso. Quer dizer os meus pais não eram super conservadores mas não eram propriamente despidos de preconceitos e para além disso tinham passado agora a fase do divórcio (eles acabaram por decidir dar mais uma hipótese ao casamento mas agora a relação deles andava muito tremida e isto só ia abalar a relação deles ainda mais). – E quanto mais depressa fizermos isto mais descansada tu ficas, vais ver que corre tudo bem. – Bem numa coisa ele tinha razão, quanto mais depressa conversasse com os meus pais, melhor dormiria á noite, mais descansada. E foi por este facto que decidi concordar com Nate.
- Está bem. Falamos com eles hoje. Mas tens de vir comigo, eu não consigo fazer isto sozinha! – Ele já tinha dito que vinha comigo mas não era demais confirmar.
- Claro que vou contigo. Não te vou deixar fazer isto sozinha. – Sorriu para mim e deu-me um beijo muito protector no topo da cabeça. Ele era mais alto que eu mas eu não me importava. De facto até gostava, fazia-me sentir pequenina e menina e protegida.
E assim fomos em direcção ao carro de Nate. Eu adorava aquele carro, era um Volvo preto lindo de morrer!
Entrámos no carro e Nate conduziu lentamente até minha casa. Acho que ele estava a tentar não ter nenhum acidente no caminho – ele tinha tirado a carta de condução á menos de um mês.
Quando chegámos a minha casa eu saí do carro e comecei a remexer na mala á procura das minhas chaves. Bolas! Logo hoje tive de me esquecer delas em casa.
- O que se passa Blair? – Perguntou Nate intrigado.
- Esqueci-me das chaves dentro de casa. – Disse eu aborrecida comigo mesma.
- Então vamos ver se os teus pais estão em casa. Toca á campainha. – Era uma boa ideia se não fosse o facto de os meus pais estarem os dois a trabalhar até às três da tarde e visto que agora eram duas não parecia que estivessem em casa mas não custa tentar.
Avancei até ao pequeno portão de minha casa que dava para o quintal, abri-o e quando cheguei á porta toquei á campainha. Uma, duas e três vezes. Nada. Tal como eu pensava os meus pais não estavam em casa. Voltei para junto de Nate que neste momento já estava de volta ao interior do carro. Eu juntei-me a ele e voltei a sentar-me no lugar do pendura.
- Então? Estão em casa? – Perguntou Nate já esperando que a resposta fosse negativa.
- Não. Devem estar a trabalhar. – De repente ocorreu-me uma ideia. Podia usar isto como desculpa para atrasar um pouco a conversa. – Acho que vamos ter que falar com eles noutro dia. – Disse eu como quem não quer a coisa.
Infelizmente Nate era altamente perspicaz e percebeu de imediato o meu objectivo.
- Nem penses! Nós vamos ficar aqui no carro á espera deles. Não me interessa o tempo que eles demoram. – Disse Nate muito determinado.
- Mas...- Nem tive tempo de acabar a frase.
- Nada de mas. Esperamos e ponto final. – Estava visto, não valia a pena discutir mais com Nate.
Ficámos um bom bocado sem falar até que eu decidi quebrar o gelo e trazer para a mesa um assunto que de facto me interessava.
- Nate? – Disse eu baixinho – Não achas que precisamos de falar?
- Sim. Com os teus pais! – Disse ainda um pouco alterado.
- Não é isso Nate. – Ele estava-se a preparar para ripostar mas eu não lhe dei tempo – Temos de falar sobre nós. Como é que nós ficamos?
Nate ficou surpreso quando eu disse isto mas finalmente disse:
- Eu não sei, quer dizer vamos ter uma criança e … eu gosto bastante de ti mas … eu não sei se tu queres ser mais alguma coisa que amigos… - Disse Nate cabisbaixo.
- Eu quero! – Disse de imediato. – Eu também gosto muito de ti e quero criar esta criança contigo, juntos, como uma família a sério. – Era isto que eu queria, uma família. Sempre quisera isto, desde pequena, só não esperava que fosse aos 17 anos.
Não precisei de dizer mais nada. Nate beijou-me apaixonadamente com uma urgência que não sabia existir. Eu retribuí o beijo com uma ânsia que não sabia ter. Rodei-o com os meus braços mas nunca deixámos de nos beijar. Ele tinha agora uma das suas mãos nas minhas costas e outra no meu cabelo puxando-me mais para ele. Eu passei uma das minhas pernas em redor da sua cintura passando assim para o lugar de condutor ficando ao colo de Nate com uma perna de cada lado da sua cintura. Nunca deixámos de nos beijar. Eu amava-o e ele amava-me a mim e esta era a prova que precisava.
Ele deslocou a mão que estava ao fundo das minhas costas para uma das minhas pernas e juro que o ouvi gemer quando comecei a beijar-lhe o pescoço. A esta altura amava-o de uma maneira que não sabia ser possível amar. Eu queria mais de Nate, mais e mais e….
O meu telefone começou a tocar.